sexta-feira, 29 de agosto de 2008

SENILIDADE...COISA ESTRANHA !!!!!!

Aqui há muitos anos, tive o prazer de ter na minha casa, uma avó da minha esposa, que por ter ficado afastada dos seus 5 netos, estava a viver sozinha na sua casa, embora tivéssemos encontrado uma jovem que até podia ser filha dela, que a ela se dedicou, mas não podia estar as 24 horas de cada dia.

E o pior, é que todos os seus netos, desejavam ver-se livre dela, nem que fosse pelas suas férias, mas o que é certo é que ela ficava sempre em casa, dizendo que ali é que se sentia contente, rodeada das suas coisinhas.

Mas quando chegaram os 80 anos, chegámos à conclusão de que ela teria mesmo de vir viver connosco e, como havia um quartinho disponível, lá a conseguimos trazer, embora notando que ela mais desejava que fossemos nós a ir para a sua casa, em vez de ela para a nossa...

Claro que isso era impossível, porque ela vivia numa casa muito antiga e sem comodidade alguma, mas foi nela que nasceram todos os seus netos e a sua única filha.

A velhinha, aquela Rosa Agrieira, tinha muita piada e era muito esperta, muito atenta a tudo o que se passava à sua volta e sempre pronta a ajudar de quem dela se aproximasse, mas os netos estavam todos espalhados pelo país e dois em Inglaterra, pelo que a única disponível, teria de ser a minha esposa, até porque o gosto pelas férias, já se tinha atenuado, com o afastamento dos nossos filhos, e assim não fazia grande sacrifício em ficar constantemente com ela.

Passado pouco tempo de ela estar na nossa companhia, começou a queixar-se muito dumas dores nas costas que não abrandavam em qualquer posição, nem de dia, nem de noite...

Segundo o seu médico assistente, Dr. António Ventura, ela estava cheia de bicos de papagaio, mas como tinha uns bons pulmões e coração, teria que inevitavelmente, sofrer daquelas dores, até porque já sabia desde há muito, que o seu estômago não aguentava qualquer analgésico.

Quando ele ia a sair de nossa casa, ainda lhe perguntei: "Então vamos abandonar a velhinha ao seu sofrimento ?", ao que ele respondeu: «E ela vai ter muito que sofrer, porque com aqueles pulmões e coração, está para durar..:".

E fiquei a cismar, pois já tinha lido umas coisas sobre Ondas de Radio ou Diatermia, e era coisa que eu poderia fazer, por ter a profissão da electrónica e ser radioamador com indicativo CT1DT.

Mesmo com esta ideia na cabeça, falando pela radio com outro médico amigo, Dr. Fragoso de Almeida, também radioamador, como eu, mas com indicativo CT1PK, , ele me disse que dada a sua idade tão avançada, provavelmente não daria nada, mas se não fizessem bem, mal não faria...

Foi quanto bastou para eu entrar de imediato na construção dum gerador de ondas de radio e ao aplicar as suas placas nas costas da velhinha, logo verifiquei que ela tinha lá um grande alto, mesmo no meio das costas e muito doloroso. Assim, coloquei uma placa acima e a outra abaixo, e ajustei a potência até ela dizer que já estava morninho...e assim ficou durante 15 minutos.

Mas, ao fim deste tempo da aplicação da Ondas Curtas, ela que tinha sido levada ao colo, por mim e minha esposa, toda encolhida e gemendo com as dores, não desejou ajuda e, realmente se levantou da cama onde tinha feito o tratamento e muito direita, só dizia: «Isto é milagre... é milagre, só pode ser milagre...», e lá foi pelo seu pé, para o seu quartinho, tendo-se assentado num confortável "maple" e pegado numa costura que já estava parada há muito tempo, pondo um lenço branco sobre o seu cabelo já muito branco, por causa do Sol.


No dia seguinte, fui convidá-la para fazer uma segunda sessão, mas ela até respondeu que já nem necessitava... mas lá foi pelo seu pé e se colocou de lado, para fazer a nova aplicação.

Para nosso espanto, aquele inchaço havia desaparecido por completo e como ela era magrinha, até se podiam contar agora, as vértebras.

Mas eu sempre estranhei que ela só se alimentasse de sopas de café com leite, fazendo sopas com pão integral e não queria mais nada...a não ser um fruto qualquer...

A minha esposa é que me contou que aquilo já era a sua alimentação, desde há mais de 30 anos, desde que havia descoberto que aquela dieta experimental, não lhe provocava as tremendas dores de cabeça de que vinha a sofrer desde há muitos anos...

Mas certo dia, a velhinha aparece com vómitos e mais vómitos e só se viam coisas negras a sair pela boca, pelo que a minha esposa logo descobriu a malandrice... ela tinha ido ao alguidar das azeitonas, e como já não tinha dentes, sem que ninguém desse por nada, ela as ia papando, e cuspia para dentro do alguidar, os caroços, para que ninguém soubesse! Aquilo é que ela era uma velha marota...

Isto descobriu minha esposa, porque, ao chegar ao fim das azeitonas, estavam lá uma data de caroços...

Não havia ela de estar aos vómitos...mas sempre negando que se tivesse atirado a elas...

Mas já para cima dos 90 anos, a velhinha começou a dizer que via procissões a andar pelos cortinados do seu quarto e os meninos e o Sr. Prior... e outras vezes, eram touradas e cavalos... e danças...

Como seria aquilo possível, pois ela interrompia a conversa normal, que estava a ter connosco, para se referir ao que estava a ver e depois ria-se e dizia: «Isto deve ser da minha cabeça, porque realmente, não pode ser...»

Segundo conversa com os médicos, ela estava a ficar senil e isso era normal, quando algumas pessoas chegavam àquela idade.

Um dia, ia eu a passar em frente à sua porta, ela me chamou, pedindo-me para chamar a mãe daquela menina que estava ali mesmo, a chorar pela mãe...

Oh pá, aquilo era demais, pois não havia qualquer criança nem ali nem na casa, e pedi-lhe para me indicar onde é que essa menina estava, pelo que ela logo me disse; «aqui, aqui, », mas quando eu passei a mão pelo sitio, para lhe mostrar que não havia ali criança alguma, ela me disse: «ela fugiu para trás daquele móvel...»

Mas o que diabo eu poderia fazer ? Aquilo é que estava mesmo ali, uma açorda !!!

Mesmo assim, e porque o móvel não era muito pesado, ainda o afastei da parede para ela ver que não estava lá ninguém, mas a velhinha se mostrou um tanto amargurada, por eu não a ter visto e até me pareceu chocada, tal era a certeza de que a havia visto e até feito festas à criança... prometendo-lhe que iria procurar a sua mãe.

Aquilo só poderia ser um curto-circuito cerebral, entre a sua memória actual e a antiga, em certos períodos de tempo. Eu já havia ouvido falar daquilo, mas estar na presença da pessoa, é que nunca !

Se fosse hoje, talvez ainda experimentasse as mesmas Ondas Curtas...

Noutra altura, ela me chamou para me mostrar, muito envergonhada, puxando um niquinho a sua enorme saia, como tinha inchado um joelho e isso lhe dificultava imenso o andar.

Mas porque diabo ela não me teria dito isso há mais tempo? Realmente, aquele joelho tinha o dobro do tamanho do outro !

De imediato, lhe apliquei as Ondas Curtas e para meu novo espanto, no dia seguinte, os dois joelhos já estavam com o mesmo tamanho e ela já podia andar.

Pois passou a haver outro problema, pois sem dizer nada à neta, muito sorrateiramente, saía de casa e ia dar uma volta pela vizinhança, conversar com as velhas da sua idade, até que a minha esposa dava pela sua falta e lá andava à sua procura. Aquilo é que ela era uma velha matreira !!!

Um dia, e preocupado não fosse ela dar algum tombo e partir-se toda... ainda lhe falei no uso duma bengala, mas ela logo se insurgiu, dizendo; « Bengala eu ? Para quê? Para me chamarem de velha ?»
Aí respondi: «Mas oh Rosa, quando é que se convence de que já está velhinha ?»

»Pois é, Sr. Portugal...» que era a forma por que sempre me tratava: «Pois é...tem razão, eu sou mesmo uma velha tonta...", mas nunca a usou, preferindo andar aos tombos !

Certo dia, por eu ter comprado uma máquina de costura eléctrica, a convidei a experimentá-la, e ela assim se assentou à sua frente, e vai de pô-la a funcionar, carregando no pedal... mas aquilo arrancou a toda a velocidade, o que a pôs a rir às gargalhadas... Mas lá se habituou e passado algum tempo, já se entendia com ela, fazendo bainhas de cortinados e panos para limpar o pó, o que a distraía imenso.

Esta velhinha veio a falecer aos 95 anos, mas sempre muito lúcida, a ponto de nos ter pedido para chamarmos um Escrivão do Registo Civil e, para nosso espanto, ela deixou bem claro, perante testemunhas vizinhas, que deixaria a sua "terça" à minha esposa... por ter sido a única neta que lhe havia dado o carinho de que ela tanto necessitava, e durante os 8 anos que viveu connosco.


Este seu propósito, acabou por resultar em que todos os seus irmãos, lhe deixassem de falar...

Como minha esposa sabia que eu não podia estar ao pé de mortos, e ela já havia falecido uma hora antes de eu chegar a casa para almoçar, nada me disse, mantendo somente a porta do seu quarto fechada.

E aguentou-se sem chorar, durante todo o almoço, só se vislumbrando uma certa tristeza...

Quando a despiram pela última vez, ela mostrava bem um enorme volume na barriga, como se tivesse lá dentro um enorme fruto.

Ou seja, aquelas tremendas dores de cabeça que ela havia tido 30 anos antes, já seriam devido àquele tumor que estacionou, com a dieta das sopas de café com leite.

Vai uma pessoa entender estas coisas !!!!

25 comentários:

Anónimo disse...

Olá Mário! Hoje tirei um bocadinho para vir dar uma espreitadela ao seu blog que não visito há uma série de tempo. E vejo que não esteve parado com a escrita, o que me alegra imenso.
Estava a ler este texto e a pensar que actualmente pouca gente teria coragem de albergar uma pessoa tão idosa na sua casa com receio de que as coisas se complicassem muito. Só pessoas com coração de oiro é que teriam esse amor.
Quanto ao seu aparelho de ondas curtas é realmente um aparelho milagreiro e não percebo porque é que não se usa mais frequentemente em vez do uso de analgésicos químicos. Mas enfim...
Um grande beijinho e parabéns por mais este trabalho

Escrito por: Ana Ramon em 2008/09/17 - 08:57:29

Mário Portugal Leça Faria disse...

Para conhecimento de todos os leitores, publica-se abaixo os 21 comentários publicados no site brasileiro "Lima Coelho" a propósito deste post "Senilidade... coisa estranha!!!!!!"

Anónimo disse...

Caaaaaalma, Mário

Comentário Enviado Por: Jessé
Em: 09/9/2008

Anónimo disse...

Parabéns Mário

Comentário Enviado Por: Joelma Cabral
Em: 07/9/2008

Anónimo disse...

Suas crônicas são maravilhosas. Gosto muito

Comentário Enviado Por: Luís Abreu

Em: 06/9/2008

Anónimo disse...

Muito bacana

Comentário Enviado Por: Eline das Chagas
Em: 04/9/2008

Anónimo disse...

Magnífica crônica

Comentário Enviado Por: Roberto Reis
Em: 04/9/2008

Anónimo disse...

Muito bacana esta crônica

Comentário Enviado Por: Dorinha do Anil
Em: 04/9/2008

Anónimo disse...

Muito humana a sua crônica. Fico feliz em saber que há no mundo pessoas como você

Comentário Enviado Por: Nara
Em: 03/9/2008

Anónimo disse...

Excelente crônica. Felicidade, Mário

Comentário Enviado Por: Flávia da Nóbrega
Em: 03/9/2008

Anónimo disse...

Prezado Mário, que grande a sua sensibilidade para abordar este assunto numa crônica! Parabéns

Comentário Enviado Por: Yolanda Botelho
Em: 03/9/2008

Anónimo disse...

Fiquei encantada com a sua narrativa de como conviveu com a avó de sua espeosa em casa. Parabéns

Comentário Enviado Por: Ana Carolina
Em: 03/9/2008

Anónimo disse...

Mário, adorei que você tenha abordado este tema. Bonita a sua crônica

Comentário Enviado Por: Nazareth Antunes
Em: 03/9/2008

Anónimo disse...

Excelente Mário

Comentário Enviado Por: Tocantins

Em: 03/9/2008

Anónimo disse...

Oi Mário, quão importante é falar sobre os assuntos de cuidados com pessoas idosas. Uma bonita crônica

Comentário Enviado Por: Madalena Lustosa
Em: 02/9/2008

Anónimo disse...

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Oi Mário, dê uma olhada:

Crítica literária: Senilidade, um texto de Iosif Landau + A magia do farol”, um livro de Cármen Neves

Senilidade, um texto de Iosif Landau
(Análise crítica)
Maria José Limeira

Este texto “Senilidade”, de Iosif Landau, é de uma beleza extraordinária, na medida em que mistura reflexões, memórias, e muita saudade. Os versos são livres.
Embora alinhado como Poema, pode ser lido também como Prosa. Conta uma história.
A linguagem é simples e [...] Leia o texto completo e comente

Autor(a): Maria José Limeira

http://www.limacoelho.jor.br/vitrine/ler.php?id=1149

Comentário Enviado Por: Liliana Cintra
Em: 02/9/2008

Anónimo disse...

Tenho minha mãe com 95 anos ainda lúcida, mas não ouve quase nada e quase também já não encherga. Viver tantos anos assim? Não sei se quero que me aconteça.
Abração, Ivette

Comentário Enviado Por: Ivette Gomes Moreira
Em: 02/9/2008

Anónimo disse...

Rita Levi Montalcini



Dra. Rita Levi, que tem 96 anos recebeu o Prêmio
Nobel de Medicina há 19 anos, quando tinha 77 !!!
Rita Levi Montalcini, nasceu em Turín, Itália, em 1909, e obteve o título de
Medicina na especialidade de Neurocirurgia.
Eis uma entrevista com a médica no dia 22/12/ 2005

- Como vai celebrar seus 100 anos?
- Ah, não sei se viverei até lá, e, além disso, não gosto de celebrações.
No que eu estou interessada e gosto é no que faço a cada dia!

- E o que você faz?
- Trabalho para dar uma bolsa de estudos às meninas africanas para que estudem e prosperem ... elas e seus países. E continuo investigando, continuo pensando.

- Não vai se aposentar?
- Jamais! Aposentar-se é destruir cérebros! Muita gente se aposenta e se abandona... E isso mata seu cérebro. E adoece.

- E como está seu cérebro?
- Igual quando tinha 20 anos! Não noto diferença em ilusões nem em capacidade.
Amanhã vôo para um congresso médico.

- Mas terá algum limite genético ?
- Não. Meu cérebro vai ter um século, mas não conhece a senilidade. O corpo se enruga, não posso evitar, mas não o cérebro!

- Como você faz isso?
- Possuímos grande plasticidade neural: ainda quando morrem neurônios, os que restam se reorganizam para manter as mesmas funções, mas para isso é conveniente estimulá-los!

- Ajude-me a fazê-lo.
- Mantenha seu cérebro com ilusões, ativo, façaa-o trabalhar e ele nunca se degenerará.

- E viverei mais anos?
- Viverá melhor os anos que viver, é isso o interessante. A chave é manter curiosidades, empenho, ter paixões....

- A sua foi a investigação científica...
- Sim, e segue sendo.

- Descobriu como crescem e se renovam as células do sistema nervoso...
- Sim, em 1942: dei o nome de Nerve Growth Factor (NGF, fator do crescimento nervoso), e durante quase meio século houve dúvidas até que foi reconhecida sua validade e, em 1986, me deram o prêmio por isso.

- Como foi que uma garota italiana dos anos vinte converteu-se em neurocientista?
- Desde menina tive o empenho de estudar. Meu pai queria me casar bem, que fosse uma boa esposa, boa mãe... E eu não quis. Fui firme e confessei que queria estudar.

- Seu pai ficou magoado?
- Sim, mas eu não tive uma infância feliz: sentia-me feia, tonta e pouca coisa... Meus irmãos maiores eram muito brilhantes e eu me sentia tão inferior...

- Vejo que isso foi um estímulo...
- Meu estímulo foi também o exemplo do médico Albert Schweitzer, que estava na África para ajudar a curar a lepra. Desejava ajudar aos que sofrem, esse é meu grande sonho.

- E você o tem realizado... com a sua ciência.
- E, hoje, ajudando as meninas da África para que estudem. Lutamos contra a enfermidade, a opressão à mulher nos países islâmicos, por exemplo, além de outras coisas...

- A religião freia o desenvolvimento cognitivo?
- A religião marginaliza muitas vezes a mulher perante o homem, afastando-a do
desenvolvimento cognitivo, mas algumas religiões estão tentando corrigir essa posição.

- Existem diferenças entre os cérebros do homem e da mulher?
- Só nas funções cerebrais relacionadas com as emoções, vinculadas ao sistema endócrino. Mas, quanto às funções cognitivas, não há diferença alguma.

- Por que ainda existem poucas cientistas?
- Não é assim! Muitos descobrimentos científicos atribuídos a homens, realmente foram feitos por suas irmãs, esposas e filhas.

- É verdade?
- A inteligência feminina não era admitida e era deixada na sombra. Hoje, felizmente, há mais mulheres que homens na investigação científica: as herdeiras de Hipatia!

- A sábia Alexandrina do século IV...
- Já não vamos acabar assassinadas nas ruas pelos monges cristãos misóginos, como ela. Claro, o mundo tem melhorado algo...

- Ninguém tem tentado assassinar você...
- Durante o fascismo, Mussolini quis imitar Hitler na perseguição dos judeus. E tive que me ocultar por um tempo.
Mas não deixei de investigar: tinha meu laboratório em meu quarto... E descobri a apoptose, que é a morte programada das células!

- Por que existe uma alta porcentagem de judeus entre cientistas e intelectuais?
- A exclusão estimula entre os judeus os trabalhos intelectivos e intelectuais: podem proibir tudo, mas não que pensem! E é verdade que há muitos judeus entre os prêmios Nobel..

- Como você explica a loucura nazista?
- Hitler e Mussolini souberam como falar ao povo, onde sempre prevalece o cérebro emocional por cima do neocortical, o intelectual. Conduziram emoções, não razões!

- Isto está acontecendo agora?
- Por que você acha que em muitas escolas nos Estados Unidos é ensinado o creacionismo e não o evolucionismo?

- A ideologia é emoção, é sem razão?
- A razão é filha da imperfeição. Nos invertebrados tudo está programado: são perfeitos. Nós, não. E, ao sermos imperfeitos, temos recorrido à razão, aos valores éticos: discernir entre o bem e o mal é o mais alto grau da evolução darwiniana!

- Você nunca se casou ou teve filhos?
- Não. Entrei no campo do sistema nervoso e fiquei tão fascinada pela sua beleza que decidi dedicar-lhe todo meu tempo, minha vida!

- Lograremos um dia curar o Alzheimer, o Parkinson, a demência senil?
- Curar... O que vamos lograr será frear, atrasar, minimizar todas essas enfermidades.

- Qual é hoje seu grande sonho?
- Que um dia logremos utilizar ao máximo a capacidade cognitiva de nossos cérebros.

- Quando deixou de sentir-se feia?
- Ainda estou consciente de minhas limitações!

- O que tem sido o melhor da sua vida?
- Ajudar aos demais.

- O que você faria hoje se tivesse 20 anos?
- Mas eu estou fazendo!!!!


Comentário Enviado Por: Marcela Ribeiro
Em: 02/9/2008

Anónimo disse...

Caro Mário, há diferença entre:
Senilidade x senescência

--------------------------------------------------Senescência é apenas envelhecimento, enquanto a senilidade possui um componente patológico.

Comentário Enviado Por: Alice Matos
Em: 02/9/2008

Anónimo disse...

Transtornos Emocionais do Envelhecimento
O relacionamento do idoso com o mundo se caracteriza pelas dificuldades adaptativas, tanto emocionais quanto fisiológicas; sua performance ocupacional e social, o pragmatismo, a dificuldade para aceitação do novo, as alterações na escala de valores e a disposição geral para o relacionamento objectual. No relacionamento com sua história o idoso pode atribuir novos significados a fatos antigos e os tons mais maduros de sua afetividade passam a colorir a existência com novos matizes; alegres ou tristes, culposas ou meritosas, frustrantes ou gratificantes, satisfatórias ou sofríveis... Por tudo isso a dinâmica psíquica do idoso é exuberante, rica e complicada.
Freud afirmava, com notável sabedoria, que os determinantes patogênicos envolvidos nos transtornos mentais poderiam ser divididos em duas partes:
1- aqueles que a pessoa traz consigo para a vida e;
2- aqueles que a vida lhe traz(2).
Na senilidade isso fica mais evidente ainda, de um lado os fatores que o indivíduo traz consigo em sua constituição e, de outro, os fatores trazidos à ele pelo seu destino. O equilíbrio psíquico do idoso depende, basicamente, de sua capacidade de adaptação à sua existência presente e passada e das condições da realidade que o cercam.. (...)

http://gballone.sites.uol.com.br/geriat/envelhecimento.html

Comentário Enviado Por: Rosa Amélia
Em: 02/9/2008

Anónimo disse...

As pessoas de idade quando não têm mais autonomia e nem lucidez são jogadas como um traste. Poucas têm a sorte da avó de sua mulher de encontrar alguém que cuide delas.

Comentário Enviado Por: Juliana Mourão
Em: 02/9/2008

Anónimo disse...

A tua crônica nos dá a dimensão das dificuldades que as pesssoas de idade enfrentam quando já não podem mais cuidar de si.

Comentário Enviado Por: Mateus Ferreira
Em: 02/9/2008

Anónimo disse...

Oi Mário, que lembranças, não é? Sua crônica nos demonstram como os velhos são abandonados ao léu por grande parte de familiares.

Comentário Enviado Por: Rita Teixeira
Em: 02/9/2008

yolandamariamedina disse...

Chorei, de saudades da minha avó, paterna, que faleceu quando viemos para o Brasil, estavamos no Rio de Janeiro. Ela gostava muito de beber chá no almoço, então para a minha mãe não reclamar, dizia que estava com dor de dente, para justificar o chá! Se bem que não entendo qual o problema de se tomar chá na hora que se quer! :-))))
Gostei muito da sua crônica, gostei muito da avó de sua esposa. Fiquei-a imaginando a comer escondido as azeitonas, as filhoses...
Beijinho
Yolanda

somebody disse...

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