domingo, 4 de outubro de 2009

E LEVEI A VIDA A BRINCAR " lV"





Crónica Nº. 110 de Outubro de 2009
CT1DT@SAPO.PT


Mal eu me casei, a minha esposa logo me ofereceu, em poucos anos, 3 miúdos de enxurrada, que aqui estão, numa foto mais à frente, num alegre passeio a uma linda Barragem existente a 11 Km da minha casa, pelo que todos os fins de semana, quer fosse inverno ou verão, era o sítio mais agradável e pouco dispendioso, para onde podíamos ir passear, porque até mesmo à borda de água, havia sombras ou Sol e era só escolher.

Era como se fosse uma eterna Primavera, embora com dias mais frescos do que os outros...
Só que, sendo uma barragem para irrigação dos imensos campos de arroz, o seu acesso era muito difícil, por um caminho de pedras e mais pedras, além de muitos buracos...



Um dia, como o meu carro era um velho Ford, muito usado pela polícia de muitos anos antes, resolvi tentar ir ver o que estaria umas centenas de metros à frente e, para nosso espanto, encontrámos aquela Barragem.

Este encontro suscitou-me o escrever muitos anos depois, uma crónica no meu blog, a que intitulei "Descobri o paraíso", em 10-11-2006.

Era uma pena que aquilo não fosse conhecido de outras pessoas, porque não havia nada igual, muito quilómetros em redor e, como conhecia um velho amigo dos tempos em que havia estado num sanatório, e que era Eng. Geógrafo, o João Pereira, que apresentei no blog, em 25-2-2009, ele foi logo lá ver e fazer medidas, para ver se a Junta Nacional de Estradas autorizaria fazer ali uma estrada, o que foi autorizado de imediato, em especial por eu ter descrito aquela maravilha sem acesso, num jornal da terra, o então Aurora do Ribatejo.

Como eu já andava a tentar pintar a óleo qualquer coisa que alegrasse as paredes da minha casa, até pintei um dedicado a ela e mais uns 15.




O meu primeiro barco, de fundo plano, era um autêntico susto e perigoso, por usar um motor VW muito velho, com hélice fora de água, como uma avioneta qualquer. Felizmente que um amigo aviador, de nome Abílio de Matos, me forneceu os planos de construção de um hélice em madeira, para montagem directa ao veio dum motor deste tipo e assim foi ele construído, mas na prática, o velho motor não tinha potência para ele... provavelmente devido aos atritos na água.



Mas não fosse surgir algum problema grave, o "comandante" já levava uma câmara de ar cheia de ar e à cautela... O hélice era posto em movimento, do lado de fora, mas aquilo era mesmo perigoso nas voltas. Assim foi logo abandonada a ideia do motor fora de água, e montado um motor fora de borda, em que já se podia andar, mas sempre perigoso nas voltas.

Mas de seguida, construi uma "coisa" que eram dois flutuadores em madeira, com uma velha moto montada no meio deles, e sem rodas, mas por vários defeitos nunca andou como eu estava à espera... e tanto desejava, e também foi abandonado depois de um caminhão, de marcha atrás, e com esta geringonça em terra, o ter esborrachado. Eu devia ter colocado uma pequena inclinação nos flutuadores, para afastar a água que, no andamento se sentia apertada e subia por entre os flutuadores, ficando o piloto todo molhado...

Mas depois do incidente, nada daquilo se aproveitou...


Conforme de pode ver pela foto, estávamos em 1956 e o meu filho mais velho, já tinha 2 anos, pelo que fui construir um tractor com motor de 50 cm3 e usando dois pneus velhos, mas à frente, só consegui arranjar duas rodinhas dum triciclo, muito leves, pelo que o tractor ficando muito leve à frente, se encontrasse uma certa inclinação de terreno, tinha, como os grandes, a tendência para seguir em sentido contrário ao desejado, o que logo o meu filho protestou...e até tinha razão...


Nos tractores profissionais, eles colocam à frente, umas centenas de Kg, de ferro, para agarrar bem o rodado da frente , ao terreno.
Mas achei graça aos protestos do um miúdo de 2 anos, a algo que estava errado...


Em 1959, e contando com o aparecimento de mais filhos, como veio a acontecer, construi um carrinho em chapa de ferro e rodas velhas de motoretas, em que cada uma, possuía umas jantes de chapa de ferro e não tinha câmaras de ar, porque o peso era diminuto.


Algum tempo depois, construi um reboque e lá andava ele com dois e 3 garotos dentro, a passear.





Por volta de 1961, estava eu apaixonado pelas máquinas voadoras, porque não havia por perto, um campo de aviação e me pareceu que tivesse a possibilidade de ver uma voar, mas por vários motivos e falta de potência, isso não foi possível.


Como se pode ver, a caixa de velocidades havia sido colocada rodada 90º e bloqueado o diferencial do lado de baixo. Só lá ficaram os carretos da 1ª e 2ª e a embraiagem, que podia ser ajustada para um arranque suave dos rotores.


O sistema de comando global e cíclico estava no topo e a meio deste semi-eixo. estava o sistema de variação de passo do hélice da cauda que era controlado pelos pés do piloto.

Como eu nunca tinha visto um helicóptero em "pessoa" aquela tecnologia me encantava...por ser mais um desafio...

Verdade seja dita que já havia encontrado um pequeno livro, em espanhol, sobre "El vuelo vertical", e pouco ele explicava, a não ser que sempre haviam encontrado problemas de falta de potência, porque naquela época, 1927, os motores eram todos em ferro e muito pesados... Mas como eu tinha tido acesso a um de alumínio, um VW, estava com uma certa fé.

Não serviu para nada, a não ser encontrar explicações que me facilitaram muito mais tarde, por volta de 1990, poder encontrar muita facilidade na pilotagem dum Hugges-300, no Campo da Aerolazer, em Benavente onde o piloto me passou integralmente os comandos, após uma leve estabilização a meio metro do solo, feita por ele, me obrigou a andar de lado, pairar e subir até uns 50 metros, pairar e ir aterrá-lo no ponto de onde havíamos arrancado.


Em 1959, ainda com meus filhos muito novinhos, resolvi construir um pequeno automóvel com um motor de um cilindro, a gasolina, de 100 Cm3, um JAP, que eles deliraram e todos aprenderam a conduzir, embora o mais novo, o Carlos José, conseguisse chegar aos pedais...




As rodas, eram pneus muito velhos, completamente lisos, e que encontrei na sucata, e as jantes eram discos de chapas de ferro, que apertavam os dois lados dos pneus, com 4 parafusos.

A embraiagem era feita ao esticar da correia de desmultiplicação e o travão era carregando sobre a saída dum pequeno tambor, no motor.

Este motor, que arrancava com uma corda, estava colocado atrás, bem como um minúsculo deposito de gasolina de um litro. Só tinha uma velocidade e lenta, para não dar azo a algum acidente grave...embora se pudesse acelerar mais ou menos.
Como havia muito poucos automóveis na terra, uns 4 ou 5, quando o meu filho ia colocar gasolina à bomba, era uma festa de rapaziada atrás dele !

« Mas com tanta água ali mesmo à mão, eu tinha de enveredar pelos barcos.




Tanto a minha esposa, como a minha mãe, nunca podiam estar de mãos a abanar e o que elas mais gostavam de fazer, eram rendas e bordados, mas entretanto, já se haviam passado uns anos e todos os meus filhos, já estavam na Escola Primária . Nesta foto, estavam a gozar com qualquer coisa cómica que estivesse a acontecer na barragem , dentro de água...


. «Felizmente que um dia, e com moldes de cartão, consegui construir um em grande e, tão rapidamente, que ficou a chamar-se de DOIS DIAS, porque foi realmente o tempo que se gastou a juntar, colar e aparafusar as placas de contraplacado marítimo.




Colocou-se um motor emprestado de 10 HP e foi nele que os meus filhos aprenderam a conduzir e a fazer ski, e prancha.
Aqui vai ele num arranque a fundo, pelo meu filho Mário, já com uns 12 anos.

Depois, um amigo me ofertou um Snype e até mo veio trazer, mas um tanto mal-tratado, mas logo foi arranjado e levado numa rullote para a água da mesma barragem, e começamos com este barco, a fazer muito bons passeios à vela, que a minha filha Antonieta adorava e levando consigo as muitas amigas que por lá apareciam. Nesta altura, ela ainda era solteira.





Aconteceu aqui, que um amigo muito experimentado em barcos à vela, e até era Eng.Técnico, o Fernando das Neves Rocha, exigiu que fosse ele mostrar-me como aquilo se pilotava, porque exigia muitos conhecimentos de aerodinâmica, ângulos de ataque do vento, etc. etc. e no dia de bota-abaixo, assim aconteceu, mas como quase não havia vento, o barco dali não saía, da borda de água, porque naquele sítio, havia muito arvoredo e a vela não enchia. Mas eu estava a sentir uma ligeira brisa na cara e lhe disse que o barco estaria errado de direcção... Então ele, um tanto amargurado, me convidou a agarrar o leme e eu lá lhe dei uns puxões rápidos, para o dirigir uns graus para o lado, até ver a vela encher e de imediato o barco começar a andar e bem, mesmo sem eu ter tido uma primeira aprendizagem a velejar...


Mais tarde, e como uns malandros me tinham destruído parte dele, acabei por ofertá-lo ao Eng. que o aprimorou e pintou, mas que eu saiba, nunca mais foi à agua, e até hoje...


«Foi por esta altura que, um outro amigo nosso, e que havia mandado construir um belo barco, mas que estava abandonado num quintal, por ser ingovernável, eu e o meu filho, lá o fomos buscar e realmente, já com motor de 50 HP, ela era ingovernável ao tentar-se fazer uma volta mais ou menos apertada, pois dava uma sarrascada muito violenta, para o lado oposto e para ali ficava, sarrascada para a direita e esquerda, pelo que até ficou conhecido por "saltitão" e foi logo abandonado.


Era pois mais um aliciante problema que eu teria de resolver, até porque o barco era muito bonito e robusto.

Estudado o problema , logo foi resolvido, retirando umas réguas salientes, que acompanhavam o casco de uma ponta à outra. Depois de se ter eliminado estas réguas do meio para a proa, betumado o sítio , polido e pintado, o problema desapareceu por completo e foi o nosso melhor barco de recreio.



A partir daquela data, começaram a aparecer turistas de todos os lados e com milhares de pessoas, além de muitos barcos de corrida, e pessoas para aprenderem a skiar, não só para os experimentar, e até fazerem corridas e alguns barcos à vela. Nos últimos anos, apareceram as motos de água que sujavam a água de óleo e já nem se podia nadar, porque elas vinham quase a terra, chateando toda a gente que estivesse a tomar banho...

Por outro lado e infelizmente, com esta malta toda e falta de civismo, vieram as músicas aos berros, as sardinha assadas e com espinhas largadas por todos os lados, além da fumarada do assar sardinhas e o largar de plásticos por todos os lados..., sem o mínimo de respeito por quem lá estava para descansar.
Foi, como diz o povo; "pérolas a porcos "

Foi o fim

E parece que de barcos, embora ainda houvessem outros, chega, e já agora, boa viagem e muito gozo, mas o mais curioso é que foi tudo gratuito "e se ia vivendo a brincar".

2 comentários:

Joaquim Nogueira disse...

Esta mensagem faz justiça ao título do blogue; ENGENHOCANDO. Um grande abraço

Yolanda disse...

É verdade. Você é um verdadeiro "engenhocas". Na sua vida não há mesmo tempo para qualquer tédio :-))
Beijinhos
Yolanda