quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

MARTINS FARIA, UMA VIDA DE SONHOS


Gostava de oferecer este escrito, com muito carinho, a toda a minha família, para que finalmente, possam entender o porquê se serem assim como são, e não doutra forma. Esta forma ardente de viver trabalhando continuamente, mesmo perante os revezes da vida, o porquê de tanto gostarem de música e de compreenderem o porquê de quererem sempre sair dos problemas, de cabeça erguida.



« Meu pai, que se chamava José Augusto Martins Faria, nasceu em Abrantes, terra ribatejana muito bonita e que tem por vizinho, o belo Castelo de Almourol, plantado mesmo no meio do Rio Tejo, à sua frente.

Toda a sua curta vida, pois só viveu até aos 45 anos, foi recheada de episódios mais ou menos rocambolescos, porque demasiado grandiosos para as suas possibilidades e sendo um auto-didacta, viveu sonhando rodeado de imensos projectos que, talvez por terem sido vividos numa época muito conturbada por sucessivos e graves acontecimentos políticos, 1900 -1928, sempre encontrou enormes dificuldades.

Filho de professores, era muito exigente em perfeição e honestidade, virtudes nem sempre fáceis de encontrar em toda a gente, nem muito menos nos negócios ou na convivência política.

Ele talvez tivesse exigido demasiado das pessoas com quem se teve de cruzar pela vida fora, o que lhe havia de trazer alguns problemas e dissabores.

Logo de criança, nas suas férias escolares, o seu primeiro "emprego", foi o de cobrador de dívidas mal-paradas, levando debaixo do braço, uma pasta que, às vezes, estava recheada de dinheiro. Como era ainda um garoto, os ladrões nunca pensaram em o assaltar e, como era muito correcto nas suas operações, e de fino trato, foi escolhido por várias empresas que nele confiaram.

Na altura em que já estava perto da vida militar, e como tinha muita habilidade manual, havia aprendido a difícil tarefa de reparação de relógios de todos os tipos, mas inscreveu-se na tropa, como voluntário e logo foi parar a Angola onde haveria de aprender todas as táticas militares e se havia de distinguir pela sua bravura, habilidade e inventiva.

Estavam a aparecer em Portugal, os automóveis e ficou desde logo apaixonado pelas suas mecânicas, de que se viria a tornar exímio, paciente e exigente. Ele nunca gostou do "mais ou menos"... Ou se fazia bem feito, ou não se fazia mesmo...



Portugal vivia uma época muito conturbada de problemas políticos, tanto no Continente, como em África e foi em Angola que teve contacto com o General Massano de Amorim que viveu a "apagar fogos", tanto em Moçambique em 1914-26, mas também em Angola em 1900.





« General Massano Amorim, 1918 »



Martins Faria estava pois no seu ambiente favorito das mecânicas e era chamado a todo o lado, para resolver os problemas mecânicos nas máquinas de guerra, pelo que se tornou muito conhecido e até conseguiu fazer-se amigo dele e vendo que a tropa se estava a enfrentar com muita falta de colchões, propôs-lhe montar uma fábrica para esse efeito, o que o General aceitou de bom grado. Assim, com tão alto "padrinho", logo conseguiu arranjar sócios e vai de montar uma fábrica para o efeito, em Lisboa, mas quando já estava tudo pronto a funcionar, o General é afastado das suas funções em 1918 e as dificuldades burocráticas foram tantas, que a empresa faliu, levando a reboque os vários investidores e ele próprio... Foi o seu primeiro sonho desfeito "em palha"...

Ele tinha uma voz grave e muito bem timbrada, pelo que era muito agradável de ouví-lo falar. Pessoa dotada de uma memória fora de comum, tinha conhecimentos científicos de muitas matérias, e, por isso, era o rei da festa em qualquer reunião, tantas eram as anedotas e factos ocorridos com ele . E não eram só homens os interessados em ouví-lo, até porque as suas anedotas eram cuidadosamente refinadas para os ouvidos femininos. Embora de aspecto muito sóbrio, ele escondia uma tremenda atracção pelas partidas, desde que não ocasionassem danos às pessoas e ficava muito divertido a ver as suas caras de "apanhados"...

Ainda em solteiro, e vivendo numa pensão , ele esteve muito embeiçado por uma garota muito bonita, que lá estava, mas que fazia tudo para o afastar . Ela não o rejeitava de todo mas... não lhe facilitava a vida...

Mas como era muito brincalhão, e depois de um piropo mal aceite, afastou-se apressado, com cara de ofendido e meteu-se no quarto. Como possuia uma pistola, levou uma ameixa bem vermelha com ele, e deu um tiro, deitando-se no chão todo encharcado em "sangue" da ameixa, na cabeça. De imediato a garota e toda a gente presente, correu escadas acima e vendo-o deitado no chão com a pistola ainda a fumegar na mão, agarrou-se a ele num pranto desmesurado, dizendo-lhe que lhe perdoasse, que o amava muito, etc e tal. Meu pai aguentou um bocado, enquanto apreciava os comentários dos presentes que não entendiam o porquê daquele suicídio, até que se levantou e disse com aquela sua linda voz: «Mas a menina julga que há alguém, neste Mundo, que se vá matar por sua causa ?...»

A pobre garota, desde esse dia, nunca mais foi vista...

« Depois do Serviço Militar, juntou-se, cheio de projectos, a uma importante empresa em Lisboa, chamada Empresa Nacional de Máquinas, ali no Largo do Intendente, imponente edifício que faz frente para a Avenida Almirante Reis e Rua da Palma e, com um seu irmão gémeo, Eduardo Faria, desenvolveu projectos grandiosos com maquinaria vinda de França e, para tal, teve de lá se deslocar muitas vezes, reconhecendo a grande diferença de vida que lá se fazia. Tudo o que lá via, lhe despertava a vontade de trazer projectos para Portugal... A Empresa ocupava todo o rés-do-chão que, hoje, em 2007, está ocupado por imensas lojas pequenas.



Era nesta "caravela voadora" que os franceses queriam pôr Gago Coutinho a orientar a grande viagem de Lisboa ao Brasil.



Foi por esta altura, 1917, que o Almirante Gago Coutinho empreendeu a sua primeira viagem aérea entre Lisboa e o Rio de Janeiro, facto que o haveria de apaixonar, e vai a França observar os testes dum enorme avião de 6 motores, ao que ele apelidou de "caravela voadora", e viu que aquela enorme e pesadíssima máquina, estava muito longe de garantir êxito à longa viagem ao Brasil. Assim, vem para Portugal e publica na imprensa, um intenso debate público sobre os perigos daquele enorme avião, se fosse ele o escolhido. Nessa época, no Brasil já havia imenso entusiasmo pela aviação e todo o território já era muito sobrevoado, mas voar sobre o Oceano Atlântico, de Portugal para Brasil, era ainda muito complicado ! Essas viagens, já estavam a ser feitas, mas de Zeppelin.

Esta viagem de Gago Countinho e Sacadura Cabral, estava a provocar em toda a Europa, um enorme entusiasmo !

Em Portugal, 1919, vivia-se este grandioso e arriscado projecto, com enorme interesse e, acompanhado do piloto Sacadura Cabral, lá faz a viagem num pequeno avião de flutuadores, o Lusitania.

« Nos Estados Unidos, Henry Ford estava a conseguir montar em série, os automóveis Ford e isso o aliciou a também tentar em Portugal, mas com carros franceses, a Renault. Estava-se em 1919.

Henry Ford era, como Martins Faria, um grande entusiasta pelas mecânicas. Nesta imagem, Henry Ford ainda não estava a fabricar automóveis.

« No primeiro andar do palácio onde estava instalada a Empresa Nacional de Máquinas, ele lá vivia, perfeitamente confortável de situação financeira e foi numa das suas viagens aos Açores, S. Miguel, para orientar a montagem duma fábrica de serração, que viria a conhecer aquela que viria a ser, pouco tempo depois a minha mãe, senhora bonita, (desculpe-me a falta de modéstia) dotada de muita habilidade para interpretação de música ao piano, falando francês fluentemente, além de bordar bordados lindíssimas, e tendo aprendido a bordar as rendas de Bilros, que estava muito em moda nessa época, e pintava e desenhava com muito estilo, tendo recebido aulas do famoso pintor açoriano, Domingos Rebelo.

Meu pai, que era também um amante da boa música clássica e até tocava bastante bem violino, logo se sentiu profundamente apaixonado por aquela senhora, com quem viria a casar poucos meses depois.

Foi deste casamento que vieram os 5 filhos já descritos e fotografados, noutros artigos deste Blog.

Na casa de meu avô, a música era uma constante a todas a horas. Certamente que todos nós, mesmo antes de nascermos, já vínhamos embalados em música !

«Quando eu nasci, em 1927, na freguesia dos Ginetes, em S.Miguel, estava ele, no Continente, muito entusiasmado em trazer para Portugal, a referida marca de automóveis franceses, a Renault e conseguiu alugar um enorme edifício, ali para os lados do Arco do Cego em Lisboa, que iria servir de linha de montagem dos automóveis. a primeira do género em Portugal !

Era um projecto grandioso, talvez demais, para um jovem como ele era, de 43 anos !

Já com tudo montado à espera da primeira remessa de toneladas de peças dos automóveis, colocadas em comboio, em França, rebenta mais uma revolução em Lisboa e ele viu-se na necessidade de suspender a encomenda, até que a coisa acalmasse, mas poucos dias depois, rebenta outra revolução e os franceses desistiram de continuar com o projecto, dada a insegurança política que existia em Portugal. E lá se foi mais um dos seus belos sonhos...sem rodas para andar... e sem futuro para os seus filhos...coisa que já tanto o preocupava...

Foi por esta altura que meu avô veio ao Continente para ver a filha, mas é acometido duma apendicite agravada, que o ia matando. Meu pai começou a verificar que só lhe punham sacos de gelo em cima e a doença sempre a progredir, sem que os médicos alterassem o tratamento. Meu pai tinha trazido de França uma almofada eléctrica, com ajuste de temperatura e pensando que o sogro necessitaria era de calor, falou com o médico assistente que, muito contrafeito, lá o deixou experimentar e qual não foi o espanto de todos, quando vêem o doente a melhorar dia a dia e com alta, passadas poucas semanas. É engraçado aqui lembrar que anos depois, meu avô lembrava a todos nós, que devia a vida ao meu pai...que de medicina, sabia bem pouco...e até lhe tinha uma certa desconfiança...

Os problemas em Portugal estavam a agravar-se a grande velocidade, pelo que a própria Empresa, já estava a encontrar dificuldades de escoar o que cá possuia, tendo em stock uma data de motores de explosão de um só cilindro e 4 tempos, que estavam destinados, em especial às bombas de rega, na agricultura. Ele vendo o tempo que se gastava e dificuldade de calcetagem dos passeios e ruas de Lisboa, que eram feitos à mão, com pesadíssimos massos, logo pensou em estudar uma máquina que facilmente pudesse fazer esse trabalho, o que conseguiu, mas para as poder fornecer à Câmara Municipal, teria de enviar uma delas para demonstração.

Ainda tive acesso a uma fotografia dessa interessante máquina, mas ela me desapareceu, como por encanto... Assim, só me resta a possibilidade de a desenhar:

A Calcetadora tinha o tamanho aproximado de uma motocicleta.

O motor estava engatado a um poderozíssimo e complexo sistema de desmultiplicação, capaz de dar cerca de uma rotação por segundo e maior ainda para o lento movimento do carro, e um excêntrico de rápido declive, (como usam todos os relógios despertadores ao despertar) fazia subir o pesado embolo, que era largado repentinamente no solo, por intermédio duma violenta mola, do tipo usado nas suspensões dos automóveis. Um sistema mecânico, ia analisando a compressão das pedras na calçada e só deixava a máquina seguir, quando estas pedras estivessem alinhadas ao mesmo nível. Além dos imensos carretos e correias, ainda dispunha de diferencial ligado às duas rodas, para um movimento extra lento.

O operário só tinha de orientar a máquina para onde necessitava de trabalhar, o que era fácil, porque a máquina se deslocava automaticamente, muito lentamente, com a ajuda do motor. Embora andando a pé, o operário tinha acesso a um guiador, do tipo das motocicletas, com todos os seus comandos à mão e ia acompanhando todos os movimentos da máquina, passeando atrás dela. Aquilo estava positivamente muito engenhoso !

Para as poder colocar no mercado, ele teria de enviar uma para a Câmara Municipal de Lisboa, embora sabendo do perigo que isso iria constituir, porque sempre havia espiões industriais em todo o lado, mas como não encontrou outra solução, lá enviou uma máquina mas, rebentando outra revolução, com troca de ministros e Directores, nunca mais encontrou o seu paradeiro e pior, uns meses depois, vê propaganda francesa de ter à venda uma cópia da sua máquina... Mais outro sonho por água abaixo... agora à marretada !.

Desgastado pelos sucessivos desgostos, resolveu ficar sozinho na Empresa, tendo comprado as partes dos sócios, mas as complicações continuaram e viu-se obrigado a fechá-la poucos anos depois, mas colocando nos jornais a notícia de que pagaria a todos os credores, o que estivesse certo. Queria sair de cabeça levantada !

Com a saúde muito abalada, um amigo médico descobre que ele está gravemente doente de diabetes, que nunca tinha analisado, e a alimentação necessária para a sua correcção, despoleta-lhe uma tuberculose pulmonar, muito difícil, dolorosa e demorada de tratar naquela época, pelo que desiste de procurar o tratamento.

Mesmo assim, vai morar para a Parede, na linha de Cascais, e aí se entusiasma por montar uma Escola de Condução Automóvel, alugando um vasto terreno onde manda fazer ruas e mais ruas, encruzilhadas, pontes, parques de estacionamento, semáforos, etc. e como estava muito interessado em dar às mulheres a possibilidade de conduzir automóveis, convida minha mãe a aprender a conduzir, para ser instrutora feminina, coisa que era novidade em Portugal, mas um dia, para ver se ela já respondia prontamente aos travões, atirou-se para a frente do carro em que ela vinha a conduzir, e por pouco não foi atropelado, pelo que minha mãe logo aí desistiu de continuar a aprender e lá morreu mais um dos seus grandes projectos...agora na estrada...

Ainda tive acesso aos seus manuscritos sobre as provas de exame, mas infelizmente, acabei por perdê-los ...

Ele estava realmente em apuros, tanto financeiros como de saúde e vai para S.Miguel, viver com a mulher e filhos, para a casa de meu avô, lá para os Ginetes que, como médico, passou a viver imensamente preocupado com a possibilidade de contágio da filharada, os seus netos. Embora eu sentisse uma vontade enorme de lhe saltar para o colo, e ele o sentia, e levava os dias a chamar por mim, para o ajudar a polir à perfeição, as caixas de prata dos relógios Longines, e outras marcas, etc., sempre fui um tanto travado de o fazer, por meu avô e, por isso, tive muito pouco tempo de vida na sua companhia.

Mesmo aí, e na mira de conseguir mais algum dinheiro, ainda pratica a sua primeira profissão de rapaz, consertando relógios e vendo que em S.Miguel, ninguém conhecia as saborosas meloas de casca fina e imensamente saborosas que ele conhecia do Continente, vai de alugar um terreno e semear daquelas meloas, mas como elas nasceram todas ao mesmo tempo no fértil terreno açoriano, e com dificuldade de as colocar em todos os restaurantes com quem tinha contactado antes, vê mais este projecto afundar-se...e toneladas de meloas a apodrecerem no terreno ! Não sei ainda, se teria havido alguns ganhos... e lá se foi outro sonho, mas desta fez "afogado" em saboroso sumo de meloa...

« O Magneto que gerava 15.000 Volts »

Um dia, quando eu tinha 9 anos, ele nos chamou a todos (os 5 filhos) e colocou sobre a mesa da sala de jantar, um magneto que se usava muito em certas máquinas, para gerar os 15000 Volts para as velas dos motores, e mandou-nos agarrar as mãos todas uns dos outros, por forma a fazermos um circuito série, e dizendo a meu irmão, que era o mais velho, para quando ele, meu pai, mandasse, fazer rodar rapidamente um pequeno volante que aquela "coisa" possuia, informando-nos para prestarmos muita atenção ao dedo do último que estava ao pé dum arame, e era eu..., para vermos o lindo fenómeno que se iria passar... Estávamos todos muito entusiasmados...

Então, quando estávamos todos agarrados uns aos outros e o último estava com o dedo próximo do arame, ele, ainda gozando o lento enrolar do seu cigarrinho na mortalha e, com um sorriso matreiro, deu ordem de arranque. Obviamente, um valente choque de 15.000 V, percorreu todos os nossos corpos, deixando-nos estupefactos com o que tinha acontecido ! Na realidade, nunca havíamos apanhado um choque e as nossas expressões horrorizadas, deram lugar a sorrisos amarelos, e lágrimas nos olhos...em especial por ver meu pai rir de orelha a orelha, coisa que não lhe era muito habitual... Mais uma partida do velhote.... mas esta fez doer !

Entretanto meu pai vê a hipótese de escrever para um jornal de S.Miguel, imensas crónicas das suas rocambolescas viagens pelo interior de África, à laia de folhetim, o que sempre lhe dava mais algum dinheiro, e eram escritas à mão, por minha mãe, que tinha uma letra lindíssima, enquanto ele ia passeando pelo quarto, a desenvolver os seus raciocínios e a enrolar cuidadosamente os seus cigarrinhos, operação que sempre terminava com uma lambidela na língua, para colar o papel.

Julgo que teria sido o jornal «O Açoriano Oriental», que os teria publicado...

« Um dia, vi entrar no seu quarto, um órgão de igreja que estava avariado há muitos anos, e ele ali esteve à sua volta, meses seguidos, a ver e testar membrana a membrana, nota a nota, conferindo com um diapasão, a sua precisão. E conseguiu ! Para o experimentar e testar, toda a família tocou no órgão, muitas horas. Aquilo era lindo de ouvir ! Mas este trabalho já era muito violento para a sua débil saúde...

Assim, roído pela doença e pelos desgostos, acaba por vir a falecer nos Ginetes, aos 45 anos de idade, em 1938, quando eu ainda tinha 11 anos. Quando nos deixaram ir vê-lo morto, na sua cara, estava estampado um sorriso extremamente calmo... como se estivesse a pensar que iria agora fazer partidas para outros mundos...quiçá aos anjos...

Pobre homem, que mesmo perante tantos insucessos, continuou a trabalhar até aos seus últimos dias de vida !

Na freguesia de Ginetes, nunca se havia visto um enterro tão imponente, com banda de música e muitas centenas de pessoas, vindas de todos os lados, em especial de Ponta Delgada...


Escrito por Engenhocando em 2007/03/09 às 09:57:46