quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O MILAGRE DO « Snoopy »



A história verídica que se segue, foi-me descrita por um amigo que muito admiro e conservo há mais de 40 anos, Amilcar Carlos, um apaixonado pelas ciências, pela música e pelos animais. Quando ainda na Escola Primária e, durante alguns anos, teve vários e complexos problemas respiratórios, mas tudo conseguiu superar, embora ainda hoje considere ter havido uma certa "magia" na sua cura...

Ele sempre viveu no Algarve, em Faro e vim encontrá-lo, como radioamador, com indicativo CT1TO, em 1968. Desde aí, nunca mais nos separámos e sempre fomos bons amigos, embora nem sempre estejamos de acordo nos assuntos versados.

O Editor : Mário Faria (CT1DT) e-mail: ct1dt@sapo.pt









Amilcar Cerina Padesca Carlos, hoje com 60 anos.


Aqui vai o seu admirável escrito, transbordando de amor pelo seu cãozinho.


Isto aconteceu há uns 5 anos.
Uma tarde, após chegar da praia e já em casa, o cão muito encalorado dirigiu-se logo para a cozinha onde tinha o bebedor com água; notei então que o bichinho estava numa aflição e há mais de 5 minutos a tentar beber água e não o conseguia. Toda a noite foi um desassossego com ele a tentar beber e nem com a nossa ajuda conseguia.

Ao fim do 3º dia e a notar que ele estava a ficar muito magro e debilitado, verifiquei que ele não conseguia fechar o maxilar nem deglutir, portanto, nem líquidos nem alimentos.




"SNOOPY" o meu adorado cão.

Fomos ao veterinário e após radiografias, análises e mais estudos veio o veredicto: inflamação nos trigémeos. Normalmente após a cura o nervo fica afectado e não volta a comandar o maxilar; portanto na opinião dele o melhor seria abater o animal porque iria sofrer bastante e não havia cura.
Ele estava com 2 ou 3 anos e nós já o adorávamos; viemos para casa muito desanimados e nessa noite dei por mim abraçado à Paula ambos a chorar com tão más perspectivas.

Tomámos a resolução de o internar num hospital veterinário e o alimentar a soro enquanto não decidíamos o que fazer (a Paula buscava incessantemente na Internet mais informação acerca da doença dele) .... A veterinária que o acolheu era uma moça nova muito linda e simpática e fiquei com muito boa impressão dela e pedi-lhe para fazer tudo para salvar o animal.

Todas os dias de manhã e à tarde (nas horas permitidas das visitas),íamos buscá-lo para o levar a passear num campo relvado que ele muito adorava e estava habituado e, lá andava eu com um frasco de soro na mão para o alimentar pelo tubo, e ele a andar com dificuldade pelos caminhos que dantes o fazia em alegre correria e sempre aos saltos por cima das ervas e flores para não as machucar, coisa que as pessoas sempre admiravam.
Aliás ele sempre foi o "ai Jesus" de quem o via pois além de bonito mais parece um borreguinho saltitão e na praia a perseguir as motas de água e os windsurfs é sempre filmado pelos turistas e ainda hoje o é. Curiosamente há tempos, num monte alentejano um pastor queria trocá-lo por dois borreguinhos; « Nem por todo o rebanho», disse-lhe eu ...

Bem, para ajudar a veterinária que fazia por ele o que podia, fui à net pesquisar a maleita e então recebi um feed-back duma universidade de S. Paulo que entreguei à médica e avançamos com o tratamento.

Isto durou cerca de 1 mês; depois de acabado o tratamento teve alta e veio para casa entubado e alimentávamo-lo com uma espécie de papa muita liquida com uma seringa, através do tubo cosido no focinho; ainda hoje tem as marcas dos pontos.

Um dia, talvez depois de cerca de 3 meses deste tratamento, e já sem esperanças de recuperação, ao visitar uma senhora amiga, nova, angolana e muito bonita, que lhe passou uma mão sobre o corpo várias vezes e sempre, ao que parecia, rezando uma lenga-lenga estranha, às tantas colocou no chão o Snoopy e, enquanto conversávamos, na sala ao lado, ouvi um barulho e fui espreitar; e lá estava ele todo em esforço e a tentar comer a comida dos gatos dela...esticava-se todo e muito furioso por não poder mastigar... então reparei que ele, naquele preciso momento, começou a beber a água do recipiente dos gatos da senhora e a comer furiosamente a ração deles...
Era difícil de calcular a nossa alegria... Chegados a casa, ele atirou-se logo para o leite, água e ração que lhe deitei no comedor e sofregamente tudo comeu !

Peguei nele e todo contente levei-o à clínica, onde a tal linda veterinária lhe retirou o tubo e fizemos uma festa pela cura; ela confessou-me que nunca acreditou muito na cura pois normalmente isto é irreversível e tem de se abater os animais.
A tal senhora, onde se deu o "milagre" dele começar a comer, está convencida de ter sido mesmo um milagre pois ela estava a rezar por ele para que se curasse e, naquele preciso momento!

Sempre que recordo o episódio, fico com os cabelos em pé....
Bem se pode calcular a nossa alegria e a partir daí, talvez agradecido, ele segue-me como uma sombra por onde quer que eu esteja (por vezes e, quando passamos junto à clínica agarra-se a mim com as patinhas e todo ele treme como varas verdes) mas tem sido um companheirão o que por vezes até é demais e faz-me transtorno, especialmente quando vou a sítios onde ele não pode entrar, por causa das novas "leis" de agora, tão restritivas para os animais...

Escrito por Engenhocando em 2007/05/28 às 15:12:41